Teatros da Zona Norte se adaptam à pandemia com peças virtuais

A palavra “Reinvenção” tem sido uma palavra-chave para quem vive do teatro nestes dias de isolamento social. Sem a possibilidade de encontrar o público fisicamente, companhias e atores independentes vêm buscando auxílio na tecnologia para pensarem em novas formas de trabalho.

Para Daniel Alves Brasil, do grupo Refinaria Teatral, essa situação nos pegou de surpresa. “Estávamos ensaiando uma peça, com estreia prevista para o mês de maio, porém, durante os últimos preparativos, tivemos um ator que ficou assustado com a repercussão da pandemia. A partir daí, começamos a nos reunir virtualmente, realizando ensaios e nos adequando a essa nova realidade”.

Já Nilton Bicudo, diretor do Teatro Alfredo Mesquita, adequou todas as atividades do espaço no inicio da Pandemia, em Março de 2020, migrando-as do ambiente físico para o virtual. “Nossas atividades começaram a serem transmitidas pelo Facebook, YouTube e Instagram do Teatro. De um ano para cá, foram transmitidas muitas lives, com algumas gravações no nosso espaço e outras gravadas na casa dos próprios artistas, e assim, seguimos transmitindo os nossos espetáculos, ajudando a mitigar os efeitos devastadores dessa crise tanto para os artistas como para o público em casa”

Dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2018, apontam que, em média, 5 milhões de pessoas trabalham no setor cultural no país, representando 5,7% das ocupações. Grande parte desses profissionais não tem renda fixa ou carteira assinada. De acordo com o IBGE, são cerca de 44% de pessoas que desenvolvem suas atividades de forma autônoma ou informal.

Além da readequação tecnológica, os grupos teatrais tiveram que se adaptar a uma nova realidade financeira, pois sem os ganhos da bilheteria, eles tiveram que readaptar os seus trabalhos. “Depois de muitas negociações junto a Secretaria de Cultura, adaptamos o nosso projeto, que até então uma peça de teatro em quatro vídeos documentários e em uma minissérie chamada “a obra que não estreou”. Além disso, criamos uma vaquinha virtual para custear as nossas despesas para não perdermos a nossa sede”, conta Daniel.

Segundo um estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o setor cultural movimentou em 2020, R$ 190,5 bilhões. Contudo, a Fundação projeta que, devido à pandemia do novo coronavírus, o setor deve perder cerca de R$ 46,5 bilhões e ter um recolhimento de 24%.

Matéria originalmente publicada pelo Jornal SP Norte. Clique aqui e visualize o conteúdo completo.

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